Doenças da próstata: sintomas, diagnóstico e tratamentos
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e ao redor da uretra. Ao longo da vida, ela pode ser acometida por diferentes condições, desde alterações benignas relacionadas ao envelhecimento até processos inflamatórios e câncer.
Entre as doenças mais frequentes estão a hiperplasia prostática benigna (HPB), a prostatite e o câncer de próstata. Embora possam envolver o mesmo órgão, são condições bastante diferentes e exigem formas diferentes de investigação e tratamento.
Sintomas urinários não devem ser considerados simplesmente uma consequência normal do envelhecimento. Identificar sua causa permite diferenciar alterações benignas de outras condições e escolher o tratamento mais adequado para cada paciente.
Hiperplasia Prostática Benigna (HPB): a próstata aumentada
A hiperplasia prostática benigna é uma condição muito comum com o avançar da idade. Trata-se de um crescimento benigno da próstata — HPB não é câncer. O aumento da próstata pode comprimir a uretra e dificultar a saída da urina, além de contribuir para alterações no funcionamento da bexiga.
Sintomas mais frequentes:
- Jato urinário fraco ou interrompido
- Demora ou esforço para começar a urinar
- Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente
- Aumento da frequência urinária
- Necessidade de levantar várias vezes durante a noite para urinar
- Urgência para urinar
- Gotejamento após a micção
Em casos extremos, o aumento da próstata pode resultar em retenção urinária e necessidade do uso de sonda vesical. O tamanho da próstata, isoladamente, não determina a necessidade de tratamento. A avaliação considera a intensidade dos sintomas, seu impacto na qualidade de vida, o funcionamento da bexiga e a presença de possíveis complicações.
Como é feito o tratamento da HPB?
O tratamento é individualizado. Homens com sintomas leves podem, em determinadas situações, ser acompanhados sem necessidade imediata de medicamentos ou cirurgia. Nos casos indicados, medicamentos podem relaxar a musculatura da próstata, facilitar a passagem da urina ou reduzir progressivamente o tamanho da glândula.
Quando os sintomas persistem apesar do tratamento clínico, comprometem significativamente a qualidade de vida ou surgem complicações, procedimentos cirúrgicos ou minimamente invasivos podem ser necessários:
- RTU de próstata (ressecção transuretral): procedimento endoscópico realizado pela uretra, sem cortes externos, no qual o tecido prostático que dificulta a passagem da urina é removido.
- HoLEP (enucleação da próstata com laser de hólmio): técnica endoscópica que utiliza laser para remover todo o tecido responsável pela obstrução. Pode ser utilizada inclusive em próstatas de grande volume.
- Técnicas minimamente invasivas (Rezūm, Urolift e embolização de próstata): alternativas destinadas a aliviar a obstrução com menor intervenção em pacientes selecionados. Em alguns desses tratamentos, há possibilidade de preservação da ejaculação após o procedimento.
Não existe uma única técnica ideal para todos os homens. Escolher o tratamento adequado depende tanto das características da próstata quanto das expectativas e prioridades de cada paciente.
Prostatite e dor pélvica
O termo prostatite engloba diferentes condições. Algumas estão relacionadas a infecção bacteriana da próstata, enquanto outras fazem parte de quadros de dor pélvica crônica sem infecção bacteriana.
Na prostatite bacteriana aguda, podem ocorrer febre, calafrios, dor ou ardência ao urinar e dificuldade para esvaziar a bexiga. Nos quadros crônicos, os sintomas podem ser mais persistentes e incluir dor no períneo, pelve ou região genital, desconforto urinário e, em alguns pacientes, dor relacionada à ejaculação.
O tratamento não deve ser automaticamente baseado em antibióticos. A investigação procura identificar o tipo de prostatite ou síndrome de dor pélvica presente para direcionar a abordagem mais adequada.
Câncer de próstata
O câncer de próstata está entre os tumores mais frequentes no homem. Em suas fases iniciais, geralmente não provoca sintomas, sendo importante discutir com o urologista quando e como realizar a avaliação para detecção precoce.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, está indicado o rastreamento em qualquer homem acima de 50 anos, ou a partir de 45 anos com fatores de risco (como antecedente familiar de câncer de próstata). O rastreamento é feito com exame de PSA (exame de sangue) e toque retal.
O PSA não deve ser interpretado isoladamente. Idade, histórico familiar, exame físico, evolução do PSA ao longo do tempo e outros fatores individuais modificam a interpretação do resultado. Quando existe suspeita de câncer, exames como a ressonância magnética da próstata podem auxiliar na investigação e na indicação de biópsia.
Não espere ter sintomas: na fase inicial, o câncer de próstata geralmente não causa dor nem dificuldade urinária. O rastreamento regular é a forma mais eficaz de detectá-lo a tempo.
Como é tratado o câncer de próstata?
Tumores de baixo risco podem, em casos selecionados, ser acompanhados por meio de vigilância ativa — monitoramento próximo para avaliar eventual necessidade de tratamento. Quando há indicação de tratamento, as possibilidades incluem prostatectomia radical (realizada também por cirurgia robótica) e radioterapia. Em doenças mais avançadas, podem ser necessários tratamentos sistêmicos, como terapia hormonal e quimioterapia.
A escolha considera o estágio e a agressividade da doença, a idade e as condições clínicas do paciente, além dos possíveis impactos sobre continência urinária, função sexual e qualidade de vida.