Incontinência urinária: tipos, causas e tratamentos
A incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Embora seja um problema frequente com o avançar da idade, perder urina não deve ser considerado uma consequência normal do envelhecimento.
Os episódios podem variar desde pequenas perdas ao tossir ou praticar exercícios até uma vontade súbita e difícil de controlar. Identificar qual é o tipo de incontinência é fundamental, pois as causas e os tratamentos são diferentes.
Não é normal perder urina: apesar de frequente, a incontinência urinária não é uma consequência inevitável do envelhecimento ou do parto. Com o tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes alcança melhora significativa ou cura.
Incontinência urinária de esforço
A incontinência urinária de esforço acontece quando há perda de urina em situações que aumentam a pressão dentro do abdome, como tossir, espirrar, rir, correr, pular ou levantar peso. É particularmente frequente nas mulheres e pode estar relacionada ao enfraquecimento das estruturas que sustentam a uretra e o assoalho pélvico. Gestações, partos, alterações hormonais e cirurgias pélvicas estão entre os fatores que podem contribuir para seu aparecimento.
O tratamento depende da intensidade das perdas e de seu impacto na qualidade de vida. A fisioterapia do assoalho pélvico pode melhorar o controle urinário por meio do fortalecimento e da reabilitação da musculatura pélvica. Em casos em que a perda de urina é significativa, existem opções cirúrgicas:
- Sling: procedimento no qual uma faixa é posicionada para oferecer suporte à uretra e melhorar o controle da urina. É uma das principais técnicas utilizadas no tratamento feminino e também existem técnicas específicas para homens selecionados.
- Esfíncter urinário artificial: utilizado principalmente para o tratamento da incontinência masculina moderada a grave, especialmente após cirurgia para câncer de próstata. O dispositivo substitui a função do mecanismo esfincteriano comprometido e permite maior controle para a liberação da urina.
Bexiga hiperativa e incontinência urinária de urgência
A bexiga hiperativa é caracterizada principalmente pela urgência urinária — aquela vontade súbita e difícil de adiar de urinar. Pode estar acompanhada de aumento da frequência urinária durante o dia, necessidade de acordar à noite para urinar e perda de urina antes de conseguir chegar ao banheiro. Quando a urgência vem acompanhada de perda involuntária de urina, chamamos de incontinência urinária de urgência.
O tratamento geralmente começa com mudanças comportamentais, treinamento da bexiga e fisioterapia. Medicamentos também podem ser utilizados para diminuir a urgência e aumentar a capacidade de armazenamento da bexiga. Quando os sintomas persistem, existem tratamentos específicos:
- Toxina botulínica (Botox) na bexiga: aplicada diretamente na musculatura da bexiga por meio de procedimento endoscópico. Atua reduzindo as contrações involuntárias responsáveis pela urgência e pelas perdas urinárias.
- Neuromodulação sacral: procedimento minimamente invasivo que utiliza estímulos elétricos para modular os nervos envolvidos no controle da bexiga. Pode ser considerada em pacientes com sintomas persistentes apesar de outros tratamentos.
Como é feita a investigação?
A avaliação começa pela compreensão detalhada dos sintomas: quando as perdas acontecem, com que frequência, em quais situações e quanto interferem nas atividades diárias e na qualidade de vida. Dependendo do caso, a investigação pode incluir exame físico, análise de urina, diário miccional e medida do resíduo de urina após a micção.
Em situações específicas, pode ser indicado o estudo urodinâmico, exame que avalia o funcionamento da bexiga e da uretra durante as fases de armazenamento e eliminação da urina. Nem todos os pacientes precisam realizar todos esses exames. A investigação é direcionada de acordo com os sintomas e com o tipo de tratamento considerado.
Tratamento individualizado
Existem atualmente diferentes opções para o tratamento da incontinência urinária, desde fisioterapia e medicamentos até procedimentos como sling, aplicação de toxina botulínica na bexiga, neuromodulação sacral e esfíncter urinário artificial. O primeiro passo é identificar corretamente por que a perda de urina está acontecendo. A partir daí, o tratamento pode ser escolhido de acordo com o tipo e a intensidade da incontinência, as características de cada paciente e o impacto dos sintomas em sua qualidade de vida.